O mercado de GPUs pode estar prestes a sofrer uma grande mudança. Não, os gerentes de Nvidia, AMD e companhia não “ficaram malucos” e a crise dos chips deve seguir como uma pedra no sapato em 2022. Na verdade, o grande ator dessa “nova era” deve ser a rede de blockchain Ethereum, que será modificada no ano que vem.

Isso porque a plataforma já deu início ao que chama de “The Merge” (“Integração”, em tradução livre). Esse evento marcará o fim da prova de trabalho (proof-of-work) e a chegada da prova de participação (proof-of-stake), um grande passo rumo ao Eth2, que será mais amplo, mais seguro e mais sustentável.

Segundo o próprio portal, a fusão entre a rede Ethereum e a Beacon Chain fará com que “a rede principal traga capacidade de executar contratos inteligentes no sistema de prova de participação (proof-of-stake)”, além do histórico completo e o estado atual da Ethereum, para garantir mais facilidade nesta transição.

E o que isso tem a ver com as GPUs?

Na prática, a mineração de Ethereum por GPUs será muito menos lucrativa do que é agora, já que a operação não será mais baseada em proof-of-work. O fato de a rede ser a maior base instalada de mineração de placas de vídeo em todo o mundo implica em mudanças significativas para o mercado.

Basta olhar os ganhos acumulados ao longo de 2021: segundo dados da Coinbase, o ether, da Ethereum, subiu de US$ 731 (R$ 4.123, em conversão direta) em 1º de janeiro para US$ 3891 (R$ 21.959) até o momento em que esta nota foi redigida.

Não é preciso uma análise muito profunda para observar que a mudança no formato de mineração não só pode interferir no preço do ether, de outras criptomoedas e de ativos como NFTs da Ethereum, como também pode impactar o mercado de GPUs, uma vez que as placas não serão tão úteis como agora para a atividade.

Então quer dizer que as placas de vídeo vão ficar mais baratas?

De forma curta e grossa: depende. É bem possível que, diante da mudança, muitos mineradores resolvam se desfazer de suas GPUs, o que resultará em componentes de segunda mão mais baratos. Se isso acontecer, pode ser que o preço de placas novas também caia, acompanhando este mercado secundário.

Mas claro, existem “poréns”. Se a lucratividade com a mineração de GPUs na rede Ethereum se mantiver em porcentagens entre 60% e 70%, os mineradores talvez decidam continuar com a prática e a mudança pode não ser o suficiente para frear margens relativamente confortáveis — tendo em vista o preço dos ativos.

Também há a possibilidade, embora pouco provável, de os mineradores migrarem para outra criptomoeda, mantendo as práticas de mineração. Nessa hipótese péssima para os gamers, os jogadores ainda devem disputar mercado com os mineradores e as placas de vídeo tendem a seguir com preços nas alturas.

Melhor esperar

De todo modo, os experimentos iniciados com a rede de testes Kintsugi provam que a mudança com o The Merge é iminente e vão acelerar a fusão programada para o primeiro semestre de 2022. Que mudanças virão é um fato, mas resta saber se elas serão suficientes para impactar também o comércio de placas de vídeo.

E neste ponto, investidores, mineradores e gamers deverão ficar atentos aos próximos episódios dessa mudança.

Via: Tom’s Hardware/Wccftech

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