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Um estudo realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aponta o Brasil como líder mundial quando o assunto são ligações indesejadas.

“O Brasil tem a maior taxa de chamadas indesejadas per capita do mundo”, afirmou o vice-presidente da consultoria Neustar, Jon Peterson, durante seminário realizado pela Anatel na última quinta-feira (7), com intuito de discutir o uso de tecnologia para barrar a prática de chamadas fraudulentas no Brasil.

A tecnologia, no caso, é a Stir Shaken, usada para autenticação do identificador de chamadas nas redes de suporte para os serviços de telefonia, bastante utilizada por empresas no exterior.

Esse é o terceiro evento do tipo encabeçado pela agência no Brasil em prol do uso da Stir Shaken para mitigar ações fraudulentas como o spoofing, que é uma chamada feita por um número sem identificação e, em geral, aplicada por criminosos que utilizam de robôs nas chamadas, para se passar por telemarketing de empresas legítimas e enganar usuários.

Brasil, campeão de ligações indesejadas

O ranking apresentado pelo executivo da Neustar engloba 20 países, sendo o Brasil como líder da lista. Mas essa não é, no entanto, um dado surpreendente, visto que levantamentos anteriores também apontam para a liderança do País em situações do tipo.

Um levantamento feito pela Truecaller de 2021 mostra que o Brasil é o primeiro país da América Latina quando o assunto é spam.

Na imagem aparece um homem jovem vestido com um terno e gritando em um telefone, representando as ligações indesejadas e chamadas de spam que podemos receber via telefone

Brasil é campeão no ranking de chamadas de spam – Imagem: Icons8 Team/Unsplash

De acordo com a empresa, o País manteve o título de “com mais spam do mundo” por quatro anos consecutivos, contabilizando 32,9 chamadas indesejadas por usuário mensalmente. E ressalta: “há uma diferença significativa entre o número médio de chamadas de spam recebidas no Brasil (32,9 chamadas por usuário/mês) versus o Peru (18,02 chamadas por usuário/mês), que ocupa a segunda posição”, diz o levantamento.

Em 2018, por exemplo, o Brasil estava em segundo no ranking global, perdendo apenas para os Estados Unidos, em um ranking também feito pela Trucaller. No entanto, ele ainda encabeçava a lista quando o recorte era América Latina, com um número de spam 81% acima do registrado para 2017.

“Dizer que o Brasil tem um problema de spam é dizer o mínimo. Quatro anos consecutivos como o país com mais spam do mundo deve ser um alerta para as autoridades começarem a colocar em prática algumas restrições pesadas e multas por spam e atividades fraudulentas”, afirmou o estudo da Truecaller, relatando também que as chamadas se dividem em: 44,1% originadas por serviços financeiros (como bancos, cooperativas de crédito, empresas de cartão de crédito, provedores de empréstimo, entre outros); 39% são referentes a televendas e outros 16,9% são golpes.

Ou, como afirmou Peterson, da Neustar, no seminário da Anatel: “no Brasil o problema é pior que em outros lugares”. Ainda segundo o executivo, o problema desse tipo de chamada fraudulenta piorou com a ampla adoção de tecnologia de VoIP.

A Anatel avalia a adoção do Stir Shaken como uma maneira de mitigar as ligações como essas de spoofing e outros golpes, mas já aplicou outras tentativas de mitigar práticas arbitrárias, com com a obrigatoriedade de identificar números de telemarketing com o prefixo 0303 — mas ainda há muito a ser feito, se quiser tirar o Brasil da liderança nesse ranking.

Via: Convergência Digital

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