Imagem: SESAI

Um desdobramento de um serviço governamental criado em 1910 é o atual responsável por respaldar lideranças indígenas no Brasil para treinamentos em saúde e educação. A SESAI (Secretaria Especial de Saúde Indigena) é um departamento do Ministério da Saúde inspirado em outras iniciativas como o SPI (Serviço de Proteção ao Índio), criado por Marechal Rondon em 1910.

Outras organizações governamentais estão envolvidas no contexto da população indígena (como a FUNAI). No entanto, é a SESAI que teve de se reinventar com a pandemia e usou a educação online para treinar profissionais de saúde indígenas e fazer avançar a vacinação.

Trabalho da SESAI destacou formação de lideranças indígenas

O secretário, Robson Santos Silva, apresentou como foram feitos os treinamentos e o trabalho de educação online pela organização no 27o. CIAED (Congresso Internacional de Educação a Distância).

A SESAI atende 761 mil indígenas no Brasil, com um universo de 274 línguas. “De cerca de 400 mil pessoas envolvidas com a SESAI, temos 20 mil trabalhadores indígenas”, afirma o secretário. Para treinar esses profissionais, foram utilizados os mais de 300 pontos de internet disponíveis pela Secretaria. “Mais 600 virão via GESAC (Governo Eletrônico – Serviço de Atendimento ao Cidadão)”, declarou Silva.

Os pontos de internet ficam localizados nos 35 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). “A maioria dos indígenas, entretanto, hoje já tem um smartphone, ainda que dos mais básicos”, conta o dirigente.

Capacitação possui temas abrangentes

A capacitação dos profissionais indígenas não é restrita apenas à informações de saúde. “Falamos de empreendedorismo e outros temas, pois é importante abrir oportunidades para essa população”, discute o secretário. “Há comunidades em que a falta de oportunidades para jovens tem gerado novos problemas como depressão, alcoolismo e suícidio, reverter este panorama com a educação online é muito importante”.

Há diferentes perfis de povos indígenas, o que deve ser levado em conta ao oferecer as oportunidades. “Há ainda grupos que são de contato recente ou isolados, neste caso, é importante respeitar suas tradições”, conta. “Os indígenas têm uma grande evolução espiritual e um respeito à vida em comunidade, e precisamos ajudá-los a terem acesso aos serviços de saúde que podem ser oferecidos”.

Com o apoio dos profissionais indígenas na linha de frente do combate à pandemia, a SESAI conseguiu vacinar 91% da população com a primeira dose da vacina. Cerca de 89% dos indígenas também já possuem a segunda dose.

Ainda que os números representem um bom resultado, a SESAI ainda luta por maior presença de população indígena em seus quadros. Com este movimento, o SASI SUS (Subsistema de Atenção à Saúde Indígena do SUS) poderá atuar ainda mais definitivamente dentro da população indígena brasileira.

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