A consultoria em tecnologia Deloitte adicionou um pouco mais de ansiedade nos planos para 2022. Segundo a empresa, a escassez mundial de chips para computadores, celulares e hardwares em geral irá permanecer durante o próximo ano, com previsão de durar até o início de 2023.

O relatório da Deloitte, intitulado “Technology, Media & Telecommunications (TMT) 2022 Predictions” (Previsões de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações, em tradução livre), aponta ainda que, para o no início de 2022, estima-se de 10 a 20 semanas para que diversos tipos de chips retornem ao mercado.

Apesar da continuação, o impacto da escassez será menor. Isso porque poucos semicondutores no mercado significam um motivo para mais investimento na indústria, já que a demanda continua a crescer.

As três maiores fabricantes de semicondutores, por exemplo, planejam investir globalmente mais de US$ 60 bilhões em 2022. A Intel sozinha será responsável pela injeção de US$ 20 bilhões para a construção de duas novas fábricas da empresa no Arizona (EUA).

Dois anos sem chips suficientes

A escassez de semicondutores não atingirá a indústria de forma homogênea. Os chips que são feitos com processos mais avançados (3, 5 e 7 nanômetros) continuarão em falta. A demanda é alta e de difícil fabricação.

Apesar dos desafios, a venda global de semicondutores têm crescido e registrou aumento de 20% em 2021. Para 2022, a previsão é de contínuo crescimento, aumentando outros 9% e alcançando o patamar de US$ 574 bilhões, segundo dados da Associação da Indústria de Semicondutores.

A demanda de chips para equipamentos e data centers aumentou entre 2020 e 2021, em parte devido à pandemia. Em 2022, a demanda deve permanecer bem mais alta do que costumava ser.

Além da demanda por novos chips, os investimentos devem ser dirigidos às novas arquiteturas, a governos, aumento da capacidade fabril e valorização da alta tecnologia.

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Pentágono reage a uma escassez global de chips – Imagem: Pixabay

Manufatura global em praticamente todos os países

Quem também tem apostado alto no mercado são as empresas de capital de risco, que devem investir US$ 6 milhões na indústria – mais do que o triplo do montante médio anual alocado nos 15 anos anteriores a 2021, segundo previsão da Deloitte. A exceção, nesse sentido, foi registrada apenas neste ano, quando os investimentos superaram muito as expectativas, com um valor de US$ 8 bilhões de capital de risco.

O capital de risco se destina, em sua maioria, a empresas sem fabricação que têm a vantagem de utilizar a capacidade de manufatura global. Cerca de 29 novos negócios chegaram em 2021 e 2022 na China e Taiwan, nas Américas, Europa, Oriente Médio, África, Japão e Coreia. O resultado é que a capacidade de manufatura global deverá crescer em 36% entre 2020 e 2022.

Enquanto os investimentos na indústria acontecem em quase todos os lugares, o capital de risco deverá ser direcionado para a China, em sua maioria. As empresas de semicondutores chinesas tiveram o triplo de investimentos de 2019 a 2020. Na primeira metade de 2021, US$ 3,85 bilhões foram destinados a essas empresas por investidores da China e do exterior.

O aumento do capital terá alguns resultados na linha de produção. Os núcleos de processamento RISC-V devem ganhar mais espaço. Este mercado dobrará de 2021 a 2022 e novamente em 2023.

RISC-V é um produto de código aberto para design de semicondutores que oferece muitas vantagens sobre os de arquiteturas proprietárias (ISAs). Alguns exemplos: a economia em despesas de licenciamento ajuda startups; a falta de sanções com impacto no RISC-V beneficia algumas empresas, especialmente na China. Além disso, o RISC-V é mais fácil de modificar que ISAs tradicionais e são compatíveis com diversas aplicações.

O mercado de RISC-V deve chegar a US$ 800 milhões em 2023, o dobro comparado ao tamanho de US$ 400 milhões em 2021. A expectativa é que chegue a US$ 1 bilhão em 2024.

Fonte: ZDNet

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