Imagem: MasterTux/Pixabay

Um asteroide maior que dois campos de futebol passou ao lado da Terra na madrugada desta quinta-feira (4), próximo à 1h30. Segundo a agência espacial norte-americana (NASA), o objeto – batizado “2022 OE2” – tem entre 170 e 380 metros de diâmetro e, se batesse contra o nosso planeta, seu impacto geraria mais energia que mil bombas nucleares.

Felizmente, ele não passou nem perto disso: ainda de acordo com a NASA, o objeto passou por aqui a uma distância de 5,1 milhões de quilômetros (km). Na prática, embora isso ainda seja na nossa relativa “vizinhança” no espaço, isso é mais longe que a Lua, por exemplo, que está a “apenas” 385 mil km, aproximadamente.

Para fins de comparação, o asteroide 2022 NF, que passou no dia 7 de julho, esteve a 90 mil km de nós.

O 2022 OE2 é o que a NASA chama de “classe Apolo”, o que significa que o objeto tem uma órbita heliocêntrica – ou seja, ao redor do Sol – e sua trajetória cruza com a da Terra de tempos em tempos. A NASA admite que não o tinha visto até o final de julho, porém, descobrindo-o apenas no dia 26.

Imagem mostra um asteroide girando no espaço, possivelmente se dirigindo à Terra

Asteroides de vários tamanhos e composições estão próximos do nosso planeta. Hoje, nenhum oferece risco de colisão conosco, mas isso pode mudar no futuro (Imagem: A Owen/Pixabay)

Há risco de um asteroide atingir a Terra?

Ignorando o fato de que foi exatamente uma colisão do tipo que levou à extinção dos dinossauros (e olha que este, especificamente, não foi nem o “top 3” de eventos de extinção em massa que já vivemos), é seguro presumir um risco de um impacto de asteroide contra a Terra acontecer de hoje em diante?

Bem…sim. E não.

A NASA e outras agências espaciais espalhadas pelo mundo contam com programas de monitoramento planetário que têm, bem mapeado, as posições de dezenas de milhares de asteroides considerados próximos à nós – ao menos, segundo uma série de parâmetros do que elas entendem como “próximo”.

A boa notícia é que, nos próximos 100 anos, nós não estamos sob qualquer risco de choque por objetos com mais de 140 metros de diâmetro.

As más notícias – são duas, foi mal: literalmente qualquer coisa no espaço, desde uma trombada com um asteroide menor até a força gravitacional de um outro corpo (tipo um planeta) pode alterar a trajetória de um desses “pedregulhos” em questão de milímetros, o que pode desencadear uma mudança que, sim, pode jogar uma rocha espacial antes inofensiva em rota de colisão direta conosco. Já a outra má notícia: muitos dos que estão próximos a nós têm menos de 140 metros de diâmetro, e destes, a NASA ainda não conseguiu detectar um número muito grande: cerca de 17 mil, segundo estimativas da agência.

Por essa razão, existem diversos projetos de defesa planetária em estudo de viabilidade, a fim de, caso alguma dessas pedras espaciais passe despercebida, nós possamos atacar o problema de forma rápida e certeira.

Um projeto da Universidade de Santa Bárbara, nos EUA, de 2019, propõe a instalação de varas metálicas com forte capacidade de penetração rochosa para, na passagem de um asteroide, cortá-lo e fatiá-lo – sim, literalmente – em pedaços menores para que, se eles ainda passarem, o impacto fosse reduzido.

A ideia veio do Meteorito de Chelyabinsk, que caiu na cidade homônima da Rússia e feriu mais de 2 mil pessoas. Nós não o vimos chegar porque…bem, porque uma outra rocha estava passando por nós naquele momento. Ocupados demais olhando para um, sem querer deixamos passar um pedaço de outro.

E o que dizer da missão “DART”, cuja sigla em inglês é traduzida para “Teste de Redirecionamento de Asteroide Duplo”? A ideia é testar a possibilidade de desviarmos um asteroide de sua rota de colisão conosco por meio de – e isso é a ciência falando – jogarmos uma nave de frente contra ele.

A DART foi lançada em novembro de 2021 e, ao final de 2022, deve chegar ao asteroide duplo composto por Dydimos (a pedra maior) e Dymorphos (a pedra menor, que será atingida pelo choque).

Via NASA (1) (2) | Santa Barbara University

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