A série Cobra Kai começou como uma produção original do YouTube para dar sequência aos acontecimentos vistos nos filmes da franquia Karate Kid. Desde a primeira temporada, a série foi considerada um sucesso e, a quarta temporada estreou na última semana, já sob comando da Netflix.

O TecMasters assistiu todos os episódios da série e compartilha, agora, com os leitores o que achou da quarta temporada de Cobra Kai. Confira!

Importante

A crítica a seguir contém alguns spoilers da temporada atual e das anteriores de Cobra Kai.

Johnny Lawrence e Daniel LaRusso ainda possuem suas diferenças

Assim como o fim da terceira temporada já havia mostrado, Daniel e Johnny precisariam unir forças para derrotar o dojo Cobra Kai. Já como não poderia deixar de ser, devido a seus ensinamentos e jeitos de pensar diferentes, os problemas pouco demoram para começar a surgir.

Johnny e Daniel - Cobra Kai 4 temporada

Imagem: reprodução/Netflix

Apesar das brigas poderem parecer um clichê já entre os protagonistas, a verdade é que tudo foi muito bem conduzido por aqui. A nova temporada de Cobra Kai mostra um pouco mais do passado dos dois personagens, mas prefere se aprofundar no que está ocorrendo “agora” e aqui se vê o grande acerto.

Devido ao presente mais conturbado, ambos os personagens acabam precisando enfrentar diversas situações que mudam não apenas a sua vida, mas também a de suas famílias. Em alguns momentos, é verdade, a emoção pode até estar com uma dose exagerada, mas os atores conseguem contornar tudo com ótimas atuações e roteiros, diga-se de passagem.

Personagens não surgem do nada

Desde o fim da terceira temporada, os rumores e teorias já conspiravam para a volta de Terry Silver, icônico vilão de Karate Kid 3. Já a sua aparição em Cobra Kai, ao menos para minha surpresa, foi muito mais elaborada do que parecia ser.

Terry Silver, desde o Karate Kid 3, já era um homem rico e poderoso, que fazia o papel de bom moço, mas que na verdade era tão vilão quanto John Kreese. Já o Cobra Kai mostra o que aconteceu com o personagem após o filme, da mesma forma que fez com Johnny Lawrence, e ainda adiciona mais fatos do passado que nunca haviam sido mostrados ao público.

Aqui, inclusive, fica até um destaque adicional para a atuação de Thomas Ian Griffth (Terry Silver), que não atuava há quase 15 anos. Desde o primeiro momento em que aparece na série, a sua atuação é realmente impecável tanto nas cenas de ação (que são poucas) quanto em outros momentos chave da temporada.

Terry Silver - Cobra Kai

Imagem: reprodução/Netflix

Em determinados momentos, quase até a metade da quarta temporada, talvez até perto do fim, devo dizer que até tive uma empatia pelo novo Terry Silver. Entretanto, Cobra Kai está cheio de reviravoltas e mostra que nem todo mundo realmente muda.

Já Kenny, um personagem que havia aparecido no último trailer, também estreou nesta temporada e com um papel bem importante. Ele, apesar do certo protagonismo, tem o seu passado menos revelado, até por ser praticamente uma criança quase adolescente.

Por sua vez, apesar de “sumir” por alguns episódios, a história do garoto é bem importante e bem trabalhada. Inclusive, sem querer dar mais spoilers, pode ser um dos grandes focos da quinta temporada, já que o seu grande rival é ninguém menos que Anthony, filho de Daniel LaRusso.

Aqui é anos 80 com muito bom humor

Até o momento dessa crítica, pela descrição acima, pode até parecer que Cobra Kai virou mais uma série focada no drama, mas a verdade é que tudo acaba sendo bem dosado.

Da mesma forma que nas temporadas anteriores, o seriado é cheio de referências aos anos 80, inclusive com direito ao Johnny Lawrence treinar escutando “Burning Heart”, música do Survivor que ficou popular graças ao Rocky IV.

Johnny Lawrence - Cobra Kai

Imagem: reprodução/Netflix

Além de Stallone, até um filme protagonizado por Van Damme, não darei o spoiler completo, chega a aparecer. Todas essas referências, ao menos para o público que teve sua infância ou adolescência nos anos 80, são um grande atrativo e rendem boas risadas com as piadas.

Já para mexer mais com o fator nostalgia, além de trazer diversos trechos de Karate Kid 3, que ajudam quem não conhece Terry Silver, a série também leva os espectadores a alguns locais que marcaram época nos filmes.

Elenco manda ver nos chutes e golpes

As cenas de combate, algumas vezes, foi algo que virou alvo de crítica nas temporadas anteriores de Cobra Kai. Já nesta temporada, devo admitir, isso foi algo que melhorou bastante.

Além de alguns atores praticarem artes marciais na vida real, como o caso de Thomas Ian Griffth (Terry Silver) e William Zabka (Johnny Lawrence), o resto do elenco mostrou uma evolução na execução dos golpes. Inclusive, algo que também contribuiu para esta visão, é a ausência parcial de combates em locais “inapropriados”.

Samanta La Russo - Cobra Kai

Imagem: reprodução/Netflix

Apesar do elogio acima, ao menos no torneio e em outras partes mais técnicas da arte marcial, a série erra em alguns aspectos que a poderiam deixar mais “realista”. Por exemplo, quando uma criança luta contra um adolescente, que na verdade é até mesmo um adulto na vida real. Nesse ponto, até posso entender a importância da luta para a trama, mas não que isso não “soe” pelo menos um pouco estranho. Outro ponto que pode incomodar alguns praticantes da arte é o fato de quase todo aluno estar com uma faixa preta.

Já outro ponto a se estranhar é o fato de Terry Silver usar alguns comandos de Taekwondo para dar instruções aos seus alunos. É claro, vale lembrar, que as artes marciais até “compartilhem” alguns golpes e técnicas, mas isso pode ser encarado diferente em uma série onde o foco é o caratê.

Não somente isso, outra crítica fica para a “rápida evolução de personagens”. Kenny, por exemplo, quase não ganhava de ninguém nos treinos e chegou bem longe no campeonato em que outros lutadores possuíam muito mais experiência. Aqui, novamente, é claro que entendo a importância disso para o personagem, mas isso acaba sendo algo irreal até demais.

Toda reviravolta é pouca em Cobra Kai

Já com uma história muito bem trabalhada, a quarta temporada de Cobra Kai pode ser bastante marcada por reviravoltas, o que acaba bagunçando a cabeça das pessoas, mas de uma forma positiva.

Por exemplo, devido a juntarem seus dojos, Daniel e Johnny precisam treinar todos os alunos. Assim, seus principais pupilos, por terem que interagir com ambos senseis, às vezes, passam por mais de uma reviravolta.

Sem querer, novamente, entrar em spoilers, alguns personagens que pareciam ter tido aparições menores em temporadas anteriores também ganham seu destaque. Inclusive, um deles é fator chave do que deve vir a seguir.

Não somente isso, algumas das brigas mais esperadas dos últimos tempos também marcam presença. Já o resultado delas pode até ser polêmico e o roteiro quis deixar tudo mais neutro, apesar de eu esperar “resultados de verdade”, mas entendo a decisão da direção para a história.

Conclusão

Agora nas mãos da Netflix, Cobra Kai está um pouco mais dramático e realmente mexe com as emoções dos espectadores em quase todo momento. Entretanto, ainda é notória a atenção dada por seus diretores, produtores e toda equipe para que a série continue com bom humor respeitando todos os acontecimentos dos filmes de Karate Kid.

Em alguns momentos, até admito que achei o número de reviravoltas vistas um pouco alto, mas a verdade é que a maioria delas faz sentido. Inclusive, algumas dicas até mesmo das próximas reviravoltas a serem vistas acabam ficando no ar.

A quarta temporada de Cobra Kai é excelente e acerta em praticamente tudo, como na hora de trazer personagens antigos e novos. Agora, resta esperar pela próxima temporada, que já foi gravada, imaginando algumas teorias do que está por vir.

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