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A dinâmica da vida do homem em sociedade faz com busquemos aparatos tecnológicos que satisfaçam cada vez mais as nossas necessidades. Olhemos para o desenvolvimento da humanidade! Na pré-história, criou-se instrumentos de pedra, osso e madeira que possibilitavam a caça e a segurança, posteriormente vieram as cunhas, arpões e a produção e controle do fogo, o que resultou em melhoria na qualidade de vida destes nossos ancestrais.

A relação entre desenvolvimento tecnológico e necessidade segue como fio condutor da história da  humanidade. Se entrássemos em um túnel do tempo, veríamos o arco e flecha que auxiliaram nas conquistas territoriais e na manutenção da subsistência, os equipamentos para a agricultura que possibilitaram o crescimento de riquezas, os instrumentos musicais, a roda, a metalurgia, a luz elétrica, o telégrafo, telefone, rádio, televisão, computador, celular, enfim uma lista sem fim.

E qual é o resultado deste processo de desenvolvimento tecnológico? O e-lixo!

E-lixo: como reverter uma montanha de resíduos tecnológicos em benefícios ao meio ambiente e gerar lucro?

Imagem: Daniel Salgado/Unsplash

O que é o e-lixo?

O e-lixo (lixo eletrônico ou tecnológico) ou Resíduos de Aparelhos Eletrônico — RAEE são, como o nome diz, o lixo proveniente do descarte dos materiais eletrônicos.

Atualmente o Brasil é o quinto maior produtor de lixo eletrônico do mundo!

Com avanço da tecnologia no mundo moderno, há um excesso de lixo eletrônico sendo produzido, os quais podem causar diversos impactos negativos ao meio ambiente.

Segundo o relatório  The Global E-waste monitor 2020, o Brasil gerou mais de 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico em 2019, ficando atrás apenas da China (10,1 milhões de toneladas), EUA (6,9 milhões de toneladas), Índia (3,2 milhões de toneladas) e Japão (2,5 milhões de toneladas). De acordo com o relatório desenvolvido pela Universidade das Nações Unidas, menos de 3% foram reciclados no Brasil.

No Brasil a destinação correta do e-lixo é prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e regulamentada pelo Decreto Federal 10.240/2020.

No entanto, será que é possível mitigar este processo e lucrar com isso? Sim, é possível!

A seguir, listo duas alternativas que vêm ganhando terreno no Brasil, gerando empregos e diferenciais.

Reciclagem e reutilização: ações que podem gerar lucros

Com o aumento significativo de e-lixo surgem as cooperativas, empresas e entidades do terceiro setor que trabalham com a reciclagem de componentes existentes nos equipamentos descartados. Muitas destas instituições desmontam os equipamentos e removem todas as peças que ainda podem ser reutilizadas, além de filtrarem os resíduos tóxicos e devolverem os produtos inservíveis ao meio ambiente.

Neste processo, há ainda empresas que se profissionalizaram em logística reversa de itens que não poderão mais ser comercializados de acordo com as leis brasileiras, aumentando o valor da marca e colaborando para atingir os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU — ODS.

Por fim, há entidades do terceiro setor que trabalham para transformar o lixo eletrônico em benefícios econômicos e socioambientais para comunidades carentes. Um iniciativa que vale a pena conhecer é desenvolvida pelo Instituto DESCARTE CORRETO, uma Rede de Comunidades que promove acesso à qualificação profissional e inserção ao mercado de trabalho, se utilizando de equipamentos e recursos provenientes do e-lixo e de sua transformação.

 Um robô de papelão que colabora com a diminuição do e-lixo

Uma alternativa para a utilização do e-lixo é a robótica sustentável. Mas como isso funciona?

Desde o surgimento da robótica, robôs têm sido utilizados para fins industriais, em montadoras de veículos e indústrias em geral. Nos últimos anos, observa-se que a robótica conquista a cada dia interesse em diversos setores — a educação é um deles.

A robótica sustentável possibilita o desenvolvimento de diversos conceitos vistos na prática, uma vez que coloca professores e estudantes sob circunstâncias reais, da solução de problemas à busca de alternativas para novas questões que surgem o tempo todo, proporcionando assim o desenvolvimento do raciocínio e a lógica na construção de algoritmos e programas para controle de mecanismos.

Dentro deste cenário, professores e estudantes buscam insumos necessários para a realização de projetos para o e-lixo. A partir dele, os estudantes constroem protótipos com sucata e componentes eletrônicos descartados, criando ações sustentáveis que possibilitem a preservação do meio ambiente e da vida no planeta.

 

  • Curiosidade

Diante da realidade da produção de e-lixo e outros resíduos urbanos surge a profissão do futuro denominada  lixólogo, um gestor de resíduos capaz de organizar os diferentes tipos de lixo no espaço urbano.

 

Para saber mais


Mônica MandajiMônica Mandaji é doutora em Educação pela PUC-SP e atual presidente do Instituto Conhecimento para Todos

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