Mark Zuckerberg, o CEO da Meta (holding que reúne Facebook, Instagram e WhatsApp) e o chefe-executivo Sundar Pichai, do Google, aprovaram pessoalmente um acordo que deu à rede social uma vantagem em relação aos concorrentes de leilões de publicidade on-line, de acordo com advogados no Texas e outros estados incluídos em novos processos judiciais ainda não selados.

O acordo ocorreu em 2018 e deu ao Facebook vantagens possivelmente ilegais quando a rede social permutou publicidade com o Google, como alegou o estado do Texas e outros 14, além de Porto Rico, na última versão da ação federal antitruste contra o Google.

Nesta sexta (14), ambas as empresas da Big Tech negaram que o acordo era ilegal. O Google descreveu o processo como “infundado” e “cheio de imprecisões”.

A ação contra a gigante das buscas foi apresentada originalmente em dezembro de 2020 pelos estados citados e atualizada em novembro com uma versão fortemente reformulada da denúncia mais recente. Após a decisão de um juiz em Nova York que detalhes adicionais deveriam ser tornados públicos, eles refizeram uma versão com muito menos exclusões na sexta-feira.

“Um grande negócio”

Entre os novos detalhes adicionados à redação, o novo arquivamento diz que Sheryl Sandberg, chefe de operações do Facebook, intermediou o acordo chamado de “um negócio estrategicamente grande”, pedindo a aprovação do CEO da Meta (holding que reúne os serviços Facebook, Instagram e WhatsApp). A denúncia incluiu ainda que a equipe por trás da negociação enviou a Zuckerberg um e-mail com os dizeres: “estamos quase prontos para assinar e precisamos de sua aprovação para seguir em frente”.

Mark Zuckerberg on stage at Facebooks F8 ConferenceAuthor Maurizio Pesce from Milan Italia

Imagem: Maurizio Pesce/Flickr

“O CEO do Facebook [ELIMINADO] queria se reunir com COO [ELIMINADO] e seus outros executivos antes de tomar uma decisão”, diz o documento, com os nomes de Zuckerberg e Sandberg — sem menção dos seus respectivos títulos/cargos ocupados — ainda apagados.

A ação judicial aponta que Sandberg e um vice-presidente sênior do Google acabaram assinando o acordo em setembro de 2018. “O CEO do Google Sundar Pichai também assinou pessoalmente os termos do acordo”, acrescenta.

Versões anteriores da denúncia haviam revelado a existência do acordo, apelidado de Jedi Blue. Entretanto, detalhes mais recentes mostram que o pacto entre o Google e o Facebook, players nº 1 e nº 2 no mercado de publicidade on-line, foi negociado e aprovado nos mais altos níveis de ambas as empresas. Antes de ser contratada pelo Facebook, Sandberg era uma executiva de alto escalão do Google responsável pelas vendas on-line.

Empresas tentam se defender; Google deve pedir arquivamento do processo

O processo foi mais um que acusou o Google de monopolizar o mercado publicitário de tecnologia, ferramentas para comprar, vender e exibir anúncios on-line que financiam mais de 70% dos sites. Em novembro, com a inclusão de mais detalhes à queixa, o juiz que acompanha o processo ordenou que partes de suas alegações não fossem seladas esta semana.

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CEO do Google, Sundar Pichai, participou do Mobile World Congress, em 2015. Imagem: Maurizio Pesce, CC BY 2.0/Wikimedia Commons

Nesta sexta, além de rejeitar o processo, o porta-voz do Google Peter Schottenfels descreveu a ação como uma infeliz manobra legal do Procurador Geral do Texas Ken Paxton, quem lidera o processo multiestadual. A empresa afirmou que vai pedir na próxima semana para arquivar o processo. “Apesar das três tentativas do Procurador Geral Paxton de reescrever sua queixa, ela ainda está cheia de imprecisões e carece de mérito jurídico. Nossas tecnologias de publicidade ajudam os sites e aplicativos a financiar seu conteúdo e permitem que as pequenas empresas cheguem aos clientes em todo o mundo. Há uma concorrência vigorosa na publicidade online, o que reduziu as taxas de tecnologia publicitária e ampliou as opções para editores e anunciantes”, disse Schottenfels.

O Google também negou que Pichai estivesse envolvido na aprovação do acordo. “Nós assinamos centenas de acordos a cada ano que não requerem aprovação do CEO, e isso não foi diferente”, concluiu o porta-voz.

Quando à Meta, conhecido na época por apenas Facebook, repetiu a sua defesa anterior sobre o acordo entre as duas empresas. “O acordo de licitação não exclusiva da Meta com o Google e os acordos similares que temos com outras plataformas de licitação, ajudaram a aumentar a competição por colocações de anúncios”, disse o porta-voz da Meta, Christopher Sgro, em uma declaração na sexta-feira ao site Politico. “Estas relações comerciais permitem à Meta oferecer mais valor aos anunciantes, ao mesmo tempo em que compensam os editores de forma justa, resultando em melhores resultados para todos”.

Diferentemente do Google, a Meta não se tornou ré no processo.

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