Imagem: TSMC/Divulgação

As tensões entre EUA e China estão encontrando reflexos na indústria tecnológica: em entrevista à CNN, o chairman da Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), Mark Liu, disse que um eventual conflito armado entre as duas nações tornaria a companhia de semicondutores “inoperável”, efetivamente paralisando a produção mundial de chips semicondutores.

A TSMC é a empresa de maior valor de toda a Ásia, tendo em vista que seu trabalho no desenvolvimento de chips atende a uma gama mundial de clientes que atuam na área de processadores e SoCs de computador e outros dispositivos. Grandes empresas dependem dela para seus negócios, incluindo Apple, Intel, NVidia, Qualcomm, AMD, para citar algumas.

Captura de imagem mostra o chairman da TSMC, Mark Liu, que disse que uma guerra entre EUA e China só teria perdedores

Mark Liu, chairman da TSMC: “uma guerra não tem vencedores, ela só traz perdedores” (Imagem: Fareed Zakaria/CNN/Reprodução)

Questionado sobre a companhia ser um catalisador ou dissuasor de um possível conflito, Liu disse:

“Ninguém pode controlar a TSMC à força. Se você falar em uma ação militar ou invasão, você automaticamente torna a empresa inoperável. Por esta ser uma estrutura tão sofisticada de manufatura, ela depende de conexão em tempo real com o mundo exterior, com a Europa, com o Japão, com os EUA, desde os materiais químicos até as peças sobressalentes e passando pela engenharia e diagnósticos”.

O cenário antecipado por Liu, inclusive, não é bem uma novidade: no auge da pandemia da COVID-19, por exemplo, muitos serviços da empresa foram ou paralisados, ou reduzidos, levando, na prática, a um impacto globalizado que não apenas diminuiu a oferta de produtos nas prateleiras, como os encareceu grandemente quando eram encontrados.

E vale lembrar: a pandemia trouxe um cenário onde todos os países tinham um objetivo comum de colaboração. Uma guerra é tudo, menos colaborativa. É só ver a situação entre Rússia e Ucrânia e a falta de gás que já assola boa parte das nações europeias e diversas empresas suspendendo o envio de produtos ao país liderado por Vladimir Putin.

TSMC, EUA e China: entenda o caso

A situação estremecida entre as duas maiores nações tecnológicas do mundo vem de um contexto geopolítico relativamente chato de entender, porém bastante importante para todas as indústrias.

No começo desta semana, a porta-voz da Casa Branca, Nancy Pelosi, visitou Taiwan – a primeira visita oficial de um funcionário público de alto escalão do governo norte-americano em 25 anos. O problema: embora Taiwan seja reconhecida internacionalmente como uma nação soberana, a China ainda a considera parte de seu território.

Em outras palavras: o governo chinês emitiu vários alertas de que a visita de Pelosi seria vista como um reconhecimento dos EUA da independência de Taiwan. Consequentemente, a China responderia – e assim o fez: durante a visita, a nação asiática executou pelo menos cinco exercícios militares, incluindo um onde moveu a sua força aérea para o espaço aéreo próximo a Taiwan.

Imagem mostra a porta-voz da Casa Branca, Nancy Pelosi

A porta-voz da Casa Branca, Nancy Pelosi, serviu de gatilho para as tensões entre EUA e China: a política do alto escalão norte-americano visitou Taiwan recentemente (Imagem: House Speaker, via Instagram/Reprodução)

Em termos práticos, é pouco provável que uma guerra – no sentido literal da palavra, com movimentações de tropas e conflito bélico – venha a ocorrer. Entretanto, a situação serviu de alerta para mostrar ao mundo como ele é dependente de um único fornecedor.

A fim de contornar isso, o congresso norte-americano aprovou uma nova legislação – Chips and Science Act – que destina bilhões de dólares em subsídios para que empresas abram fábricas de chips dentro do território estadunidense. O presidente Joe Biden deve assinar o termo e sancionar a lei até 9 de agosto, após a cerimônia ser adiada por ele ter sido novamente acometido pela COVID-19.

Isso tudo vem ocorrendo de forma paralela ao estresse geopolítico entre as duas nações, mas pode acabar contornando a dependência global junto à companhia chinesa: a Intel, por exemplo, tem um longo projeto que a vê investir US$ 20 bilhões (R$ 104,52 bilhões) na abertura de diversas fábricas na Europa e Américas. Mais além, a empresa também firmou uma parceria com a MediaTek para a criação de centros de manufatura fora de Taiwan.

“Uma guerra não tem vencedor, ela só cria perdedores”, disse, sucintamente, Mark Liu.

Via CNN

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