O mercado de streaming está em pleno crescimento na América Latina — e não há sinais de que irá desacelerar nos próximos meses. Somadas, as vertentes de áudio e vídeo que compõem o serviço devem representar o valor total de US$ 7 bilhões — sendo US$ 5,5 bilhões em vídeo e US$ 1,2 bilhão em áudio.

Isso é o que aponta o estudo Beyond Borders, realizado pela consultoria Netscribes e encomendado pela fintech EBANX. O levantamento mostra também que a região é a segunda onde os acessos ao serviço mais crescem no mundo, deixando para trás grandes potências como América do Norte e Europa.

A previsão de crescimento para a América Latina, que perde apenas para a região do Oriente Médio, é de 21% em streaming de vídeo e de 20% em áudio.

Ao todo, as estimativas apontam para 76 milhões de assinantes de serviços de streaming até o final deste ano, número consideravelmente acima dos 53 milhões do ano anterior, segundo dados da Digital TV Research.

Ainda de acordo com o Beyond Borders, Brasil e México se destacam como os dois países da região que respondem pela maior fatia no acesso ao streaming, seguidos por Argentina, Chile e Colômbia.

Acesso à Internet 

Um dos principais fatores atribuídos ao forte crescimento de streaming na região, ainda de acordo com o levantamento, foi a pandemia de Covid-19. Como segundo motivador está o aumento no acesso à Internet, tanto móvel quanto fixa, em todos os países.

“A pandemia foi apenas mais um impulso e tudo isso, combinado com a chegada da tecnologia 5G na região, impulsionará ainda mais a penetração dos serviços de streaming”, disse Bhavna Chandna, analista sênior da Netscribes, no estudo.

Três pessoas sentadas, uma ao lado das outras, mexendo em smartphones

Imagem: RawPixel/PxHere

Em especial, o aumento no uso de celulares como parte inerente ao acesso à Internet também contribuiu para o resultado. Na região, 90% dos consumidores da Argentina, Brasil, Colômbia e México preferem utilizar o dispositivo para consumir streaming — acima do montante de usuários que preferem outros dispositivos como TVs (70%) e desktops (65%) para ver filmes, séries e ouvir música ou podcasts.

Até 2025, a expectativa é que a adoção de smartphone será de 81% na América Latina, segundo dados da GSMA. Ainda segundo o levantamento, até lá, 73% da população latino-americana terá assinado algum serviço móvel.

O aumento da demanda por streaming na América Latina se reflete na oferta de serviços. No Brasil, por exemplo, esse movimento é bastante visível com a chegada de novos serviços de streaming só neste ano, como HBO Max, Paramount+ além do Star+, do grupo Disney e o próprio Disney+, que aterrissou na América Latina em novembro de 2020.

Em 2021, segundo a Netscribes, a Netflix deve permanecer na liderança dos serviços disponíveis, respondendo por 50% do mercado latino-americano. A lista é completada por Disney Plus, em segundo, com 21% do mercado, seguida de HBO Max (19%) e pelas Amazon Prime Video e Viacom CBS (dona da Paramount), com 10% cada.

Streaming de jogos, uma fatia promissora

No próximo ano, a demanda por streaming de jogos deve representar uma grande parcela desse fatia também, especialmente com a chegada do 5G.

“A chegada do 5G com certeza vai ajudar e, por outro lado, novos servidores devem surgir. Sempre que há um update no mercado de games, que é um mercado global gigante de quase US$ 180 bilhões, a infraestrutura ao seu redor melhora”, observa Fernanda Domingues, especialista em games há 24 anos e professora de e-Sports na FIA, em entrevista recente ao TecMasters, sobre como o mercado de streaming está mudando o consumo de jogos.

Outro fato que corrobora com essas análises é a própria Netflix, que é hoje a maior detentora do mercado de streaming, ter anunciado a entrada no mundo dos games no final deste ano.

Reed Hastings, CEO da empresa, não é nada bobo: o mercado de games é um dos maiores no ramo de entretenimento digital, segundo análise de Felix Richter, da Statista. Para se ter uma ideia, a receita de games digitais foi de US$ 134 bilhões no ano passado, tendo ultrapassado a somatória dos mercados de vídeo digital, música e mídia (sim, todos juntos).

Fora isso, o próprio Hastings disse pouco antes de concretizar a expansão dos negócios da empresa, que esse era um movimento natural para eles. “Competimos com (e perdemos para) Fortnite mais do que para a HBO”, teria afirmado em outra ocasião, nos idos 2019.

Para o futuro não muito distante, portanto, podemos esperar muito mais empresas do ramo de streaming fazendo o mesmo.

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