Imagem: Orlando Sant'anna - Unsplash

O LIFT (Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas) do Banco Central selecionou 9 projetos para acompanhamento para a formação do Real Digital. A competição LIFT Challenge atraiu 43 empresas e 47 projetos candidatos, do Brasil, Alemanha, Estados Unidos, Israel, México, Portugal, Reino Unido e Suécia.

O LIFT Challenge visa identificar as características fundamentais de uma infraestrutura para o Real Digital. Essa infraestrutura poderá dar suporte aos casos de usos apresentados que estejam maduros e que tragam valor, de acordo com o Banco Central.

Os projetos de aplicações foram de vários tipos, como aplicações de entrega contra pagamento (DvP), pagamento contra pagamento (PvP), internet das coisas (IoT), finanças descentralizadas (DeFi) e soluções de pagamentos quando tanto o pagador quanto o recebedor se encontram sem acesso à internet (dual offline).

Seleção do Real Digital procurou equilíbrio

A seleção buscou um equilíbrio entre a diversidade de propostas apresentadas e a necessidade de acompanhamento detalhado dos projetos escolhidos. “Em cada uma dessas categorias, escolhemos ao menos um projeto, buscando as propostas que pareceram ao comitê facilitar mais a compreensão dos requisitos que serão necessários para a plataforma do Real Digital que será desenvolvida para a fase de projetos piloto”, explicou Fabio Araujo, da Secretaria Executiva (Secre) do Banco Central.

Bancos centrais de quase 80 países – que correspondem a mais de 90% do PIB mundial – estão envolvidos com projetos de moedas digitais.

Detalhes das propostas selecionadas:

A AAVE reúne recursos de vários poupadores (formando um pool de liquidez) com foco em oferecer empréstimo e garantir a aderência dessas operações às normas do sistema financeiro, empregando ferramentas de DeFi (finanças descentralizadas).

A proposta do Banco Santander trata de DvP (entrega contra pagamento) e da conversão para o formato digital (tokenização) do direito de propriedade de veículos e imóveis.

A Febraban trata de DvP de ativos financeiros, que necessitarão ter funcionalidades diretamente ligadas à arquitetura de operação do Real Digital.

A proposta apresentada pela Giesecke + Devrient, empresa com experiência no desenvolvimento e produção de tecnologias criptográficas voltadas a pagamentos, trata de pagamentos dual offline (pagador e recebedor sem acesso à rede).

O projeto do Itaú Unibanco trata de pagamentos internacionais, empregando método de PvP (pagamento contra pagamento) em uma aplicação com a Colômbia.

O Mercado Bitcoin se associou à Fundação CPQD e à Bitrust para trazer um caso de uso de DvP de ativos nativamente digitais, com foco em criptoativos.

A proposta da Tecban combina elementos de DvP a uma solução de IoT (internet das coisas) para oferecer uma solução de logística, em um sistema potencialmente aberto de pagamentos e entrega, onde diferentes plataformas de e-commerce poderão ter acesso a pontos seguros de entrega.

A associação da Vert à Digital Asset, com o suporte da Oliver Wyman, trata de financiamento rural baseado em um ativo tokenizado programável com valor atrelado ao do Real (stablecoin do Real).

Com objetivo similar de garantir a fluidez e a adequada utilização de recursos de financiamento, a Visa, associada à Consensys e à Microsoft, traz uma proposta que busca demonstrar como uma plataforma de DeFi regulamentada pode ser projetada para permitir que PMEs brasileiras interajam com o mercado financeiro global para obter propostas de financiamentos competitivos, em uma plataforma aberta.

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