Os blockchain games são jogos que ajudam a ganhar uma renda extra com itens obtidos ou acessórios para os personagens. A diferença para outros games é que as recompensas são em criptomoedas específicas dos jogos e também em NFTs, itens únicos digitais autenticados com ajuda da tecnologia blockchain.

Sobram oportunidades nos blockchain games

Além de ser um gênero que cresce no Brasil, também há todo um mercado de trabalho novo relacionado aos jogos baseados em blockchain. São investidores, donos de equipes, gerentes, consultores, corretores, intermediários, treinadores e, claro, gamers. E para essa última “profissão”, há muitas nuances, como profissional, semi-profissional e amador.

Investidor

Cesar Augusto

Cesar Augusto

Cesar Augusto Ferreira é um jogador-investidor. “Comecei a conhecer sobre criptomoedas em canais de vídeo, soube dos blockchain games e comecei a jogar. Criei meu próprio canal para falar sobre eles”, conta ele, que além de investir em blockchain games, tem um emprego fixo CLT como analista de negócios.

Atualmente, Cesar até deixou o canal de vídeos em segundo plano, para focar mais nos games. Até uma hard wallet, uma carteira em hardware, decidiu adotar, a Trezor. Ela começou jogando Aliens World, um game gratuito. Passou a conhecer outros jogadores no Discord e aprendeu e ensinou muitas dicas.

Cesar começou a perceber a importância dos blockchain games quando notou que as pessoas que ensinava jogar começavam a “pagar contas de luz, água e até tirar muito dinheiro”. “Comecei devagarinho, mas com 15 dias de jogo ganhei R$ 3 mil e não tinha investido, então decidi reinvestir”, revela.

Cesar lidou ainda com profissionais que faziam intermediações de negociações (P2P – venda player a player) e as fez por conta própria também. “Meu foco sempre foi ajudar pessoas. Faço isso no meu tempo livre e criei meus canais que logo cresceram em número de inscritos”, conta. “Hoje tenho 50 jogadores-investidores, um pool de investimentos que fazemos juntos também em novos jogos e distribuímos os rendimentos entre os participantes”.

“Algumas pessoas entram com dinheiro, outras com tempo, mas é uma organização estruturada atualmente, fazemos votações e tudo é feito de modo que ninguém monopolize as decisões”, revela Cesar. No entanto, há padrões sim para investir em jogadores, “temos metas e caso o jogador não consiga atingi-las ele pode perder a conta”.

Gerente de comunidade

João Paulo, gamer blockchain

João Paulo

João Paulo é analista de infraestrutura em TI de São Paulo, tem 27 anos, começou a jogar Splinterlands em julho. Logo chegou a ser um dos jogadores mais destacados do game e conversou com alguns desenvolvedores americanos.

João passou a ser um “embaixador” do Splinterlands no Brasil; compartilha dicas, faz lives e mantém a comunidade União Splinterlands. Ele já teve ganhos de R$ 3 mil mensais no game, mas precisou investir inicialmente cerca de R$ 400. O que ganha atualmente, reinveste em jogos baseados em blockchain, “para criar renda passiva”. A dica de ouro para conhecer os jogos é estudar, “leia o whitepaper (documento conceitual) do game, e procure se informar antes”, aconselha ele.

Um elemento importante para jogar blockchain games para João é a coragem, pois “é preciso acreditar em algo novo e que dará resultados”. Para virar um profissional, “requer estudos, empenho e desenvoltura no game, sou dedicado, corajoso e intuitivo”.

NFTs Thetan Arena blockchain game

NFTs Thetan Arena blockchain game (Imagem – Reprodução)

Além do Splinterlands, João joga Plants vs. Undead, Crypto Cars e observa o Thetan Arena. Os principais obstáculos para o futuro dos blockchain games, na sua opinião, são “as barreiras dos bancos com relação a criptomoedas”. Para contornar dificuldades como possíveis golpes e escolher bem os games, recomenda “ler sobre o projeto, analisar o contrato, ver quem são os desenvolvedores”, antes de se envolver.

Treinadora

Axie Infinity cresce no Brasil com gamers profissionais e investimentos

Maria Cândida Luce

A artista plástica Maria Cândida Luce faz parte de um time de jogadores de Axie Infinity. Cuida de uma “escola”: grupos que dão oportunidades a novos jogadores de Axie, fornecendo uma conta para eles, bancando o investimento inicial e dividindo os lucros. Ela treina os jogadores.

“Cuido de 25 contas e treino todos para que entendam o que é o jogo e consigam jogar bem”, conta Luce, seu “nick” no Discord. Além de seu papel como treinadora, ela também se dedica ao Axie e seus ganhos em SLP “parte invisto e outra parte eu tiro como lucro”, conta.

Apesar do seu conhecimento e da equipe, Luce diz que ainda precisa estudar muito para seguir como gamer profissional. “Todos os blockchain games mais populares devem ser muitos estudados e o estudo começa na apresentação do projeto”, avalia.

Gamer profissional

Letícia Eubank

Letícia Eubank

Letícia Eubank é gamer profissional. Ela tem patrocínios e faz parte de equipes de e-Sports. “Jogo Axie [Infinity] há cerca de 6 meses, e por causa deles acabei entrando em outros jogos play-to-earn (jogar para ganhar)”. Além dos patrocínios e eventos, Letícia provavelmente lidera os ganhos entre nossos personagens. “Não vou entrar muito em detalhes de quanto já ganhei com o jogo, mas posso dizer que ultrapassei os 5 dígitos”.

O maior investimento que Letícia fez foi estudar sobre blockchain e criptomoedas, algo que ela continua fazendo. “Sempre se deve ter em mente que é um investimento de alto risco, ou seja, não vá investir um dinheiro que você não possa perder”, alerta.

Apesar de seu foco principal ser o Axie Infinity, a jogadora também pesquisa outros títulos. “Acho que os blockchain games podem mudar a vida das pessoas. Como nosso país é muito desigual, essa pode ser uma ótima maneira de conseguir uma renda extra”, diz a gamer. Com o Mir4, Letícia conta que tem amigos que já chegaram a ganhar R$ 4 mil sem gastar nada antes.

Mir4, blockchain game

Mir4, blockchain game (Imagem – Reprodução)

“Acredito que os blockchain games tenham muito futuro, sim. Os jogadores se dedicam bastante e recomendo entender esse mundo antes de começar a procurar algum trabalho”, é a dica chave de Letícia.

Gamer semi-profissional

Felipe Freitas, gamer blockchain

Felipe Seixas

Felipe Seixas se auto-define como gamer profissional de Axie Infinity, mas também está conhecendo alguns outros jogos. “Gosto de jogar no PC, com planilha aberta para fazer conta e também de jogar o modo história, contra o computador”, conta.

Como muita gente faz em jogos baseados blockchain, Felipe divide uma das contas com um amigo (Axie) e também criou uma comunidade com seus contatos interessados no tema para trocar informações sobre os games. “Quando entrei no PvU era R$ 120 a moeda e hoje está R$ 2,50. Decisões tomadas pelos desenvolvedores podem ter impactado muito, conversamos entre amigos para decidir onde investir e como lidar com perdas”, explica Felipe.

“Não é para tirar uma quantidade de dinheiro exorbitante mas um retorno saudável considerando quanto você investe, seja em tempo, equipamento ou itens de jogo”, afirma Felipe, que trabalha como designer gráfico e ilustrador free lancer. “Alguns jogos são mais exigentes. O Mir4, por exemplo, seria legal ter um computador destinado só para ele e aí não tenho como fazer isso”, conta.

“Jogo para me divertir e tenho a esperança de tirar um bom retorno futuro, o Axie me dá um retorno no momento, até R$ 2 mil mensais”, conta o designer. “Com o PvU, se eu tivesse sacado quando tava em alta a moeda, até poderia ter comprado um computador com o que eu tinha no game”, conta. “Sou um jogador que não investe muito, uso meu tempo como investimento no game, então não dá tanto para me preocupar com as perdas”, complementa. “Gosto mesmo de jogar e compartilhar informações e acho que continuarei a fazer isso”, conta.

Gamer amador

Axie Infinity cresce no Brasil com gamers profissionais e investimentos

Marcelo S. Teixeira Filho

Marcelo Silveira Teixeira Filho diz ser um gamer amador, ama e prioriza sua profissão de dia-a-dia, a medicina. No entanto, como acontece muito com games blockchain, a linha entre amador e profissional é muito fina, e opcional realmente no caso de Marcelo. Ele joga com amigos, divide os lucros mas esclarece que joga “principalmente por prazer”.

Marcelo, aos 30 anos, já ganhou R$ 6 mil por mês com o Axie Infinity mas fez investimento inicial. Hoje o game não rende tanto assim e ele calcula que ainda levará quatro meses para compensar o que investiu e ter lucro automaticamente. Marcelo continua de olho em outros games blockchain, como o Mir4 e estudando para investir em games que ainda vão ser lançados, como o Star Atlas.

Star Atlas, blockchain game

Star Atlas, blockchain game (Imagem – Divulgação)

Ele começou a jogar Axie Infinity há apenas quatro meses e conta que ter equilíbrio para entender que há perdas e ganhos é importante. A variação de renda é uma constante no game. Quando muitos jogadores entram, ao mesmo tempo que o preço da moeda principal sobe (AXS), o jogo também gera muita moeda de recompensa (SLP) e o ganho total acaba caindo. “Ainda assim é uma maneira de ter uma renda constante”, diz Marcelo, que troca as moedas virtuais por dinheiro através de uma carteira digital.

O crescimento do Axie Infinity pode ser ligado ao impacto da pandemia sobre o mercado de trabalho e investimentos tradicionais. Para Marcelo, “a pandemia acelerou a evolução tecnológica para todas as idades, até meu pai e meus professores já sabem o que é o Axie Infinity.

Por mais que o Axie tenha crescido no Brasil, nada se compara ao que aconteceu nas Filipinas. Lá, há grupos só de compra e venda de Axies com 254 mil membros. Tem até a história de um agricultor que deixou de plantar arroz para ganhar US$ 2 mil mensais com o game.

“A gente tem que ficar de olho até para não jogar nas mesmas horas que o pessoal joga nas Filipinas, manhã e início da tarde”, conta Marcelo.

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