A segurança, no mundo corporativo, é algo que deve ser levado muito a sério. Isso vale especialmente para proteger funcionários de ataques externos, já que, muitas vezes, eles são os alvos dos cibercriminosos. Um novo sistema de monitoramento de atividades suspeitas da Microsoft, no entanto, pode estar passando dos limites nessa “proteção”.

Microsoft bisbilhoteira

O caso entrou em pauta após uma investigação da equipe da ZDNet, que encontrou no cronograma de atualizações futuras do Microsoft 365 uma série de recursos de segurança para administradores de TI que, bem, podem eles mesmos invadir consideravelmente a privacidade dos funcionários de companhias que utilizem o serviço.

Programado para chegar em fevereiro de 2022, o primeiro deles promete “aumentar a visibilidade em navegadores”. Isso não tem nada a ver com fontes mais grossas, esquema de cores agradável aos olhos ou coisa do tipo: a visibilidade se refere a possibilidade de administradores saberem ainda mais sobre os hábitos de navegação de usuários.

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Imagem: Surface on Unsplash

Com a ferramenta, será possível não só monitorar o que é digitado em browsers como Edge e Chrome, mas também identificar atividades tidas como “de risco”. Isso vai desde o acesso de arquivos via navegador até sua transferência, cópia ou impressão a partir do mesmo computador.

Outro recurso, que pode estrear em abril do ano que vem, utiliza aprendizado de máquina para aprimorar ainda mais esse tipo de detecção. E vai além. O sistema é capaz de dar insights sobre o comportamento, desempenho e até caráter do funcionário sendo monitorado – algo mais próximo de um Big Brother do que de um software corporativo.

Problemas e consequências

Embora as medidas tenham seu lado positivo, como proteger a propriedade intelectual da empresa, identificar possíveis malfeitores – de verdade – entre as fileiras de funcionários e corrigir comportamentos poucos seguros, mesmo que de forma inconsciente, dos profissionais, elas parecem navegar uma linha muito tênue.

Afinal, toda a questão do home office, que se intensificou com a pandemia, acabou gerando em muitos casos um nível extra de desconfiança entre comandantes e comandados, fazendo com que ferramentas de monitoramento mais agressivas entrem em jogo para suprir um problema que poderia ser resolvido com investimento em comunicação.

Outro revés que pode ser trazido pelas ferramentas em desenvolvimento pela Microsoft é a interrupção de delações de atividades criminosas, suspeitas ou nocivas à sociedade por parte da empresa contratante do serviço.

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Imagem: Annie Spratt on Unsplash

Dificilmente teríamos as notícias escabrosas sobre como o Facebook – agora Meta – lidou com questões de privacidade, compartilhamento de dados e discurso de ódio nos últimos anos se não fosse por documentos retirados diretamente de dentro da companhia. Será que é possível encontrar um meio termo entre os dois lados?

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