Imagem: Athitat Shinagowin/Shutterstock

Na semana passada, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) do Brasil cumpriu seu primeiro mandado de busca e apreensão no metaverso. A ação fez parte da quarta edição da Operação 404, que tem como foco repreender crimes praticados contra propriedades intelectuais na internet.

Nesta operação, as autoridades tinham como alvo a pirataria audiovisual e canais que transmitiam ilegalmente o streaming de músicas no metaverso. Segundo o CiberLab, mais de 10,2 milhões de downloads foram realizados em plataformas que fingiam ser artistas famosos como Alok, Xand Avião, Marília Mendonça, entre outros.

Como resultado desta ação coordenada pelo MJSP e pela Polícia Civil de 11 estados, quatro canais que realizavam transmissões ilegais foram desativados, 90 vídeos foram tirados do ar, 461 apps de streaming foram encerrados, 266 sites no Brasil foram removidos e 15 perfis de redes sociais foram excluídos.

“Os criminosos anunciavam eventos pelas redes sociais e realizavam transmissões ilegais. A nossa luta contra a pirataria é constante. Estamos nos especializando cada vez mais para coibir essas práticas e identificar os novos crimes”, ressaltou o coordenador do Laboratório de Operações Cibernéticas da Seopi, Alessandro Barreto.

Ilustração de ambiente virtual no metaverso

Foto: wacomka/Shutterstock

Além disso, as autoridades cumpriram 30 mandados de busca e apreensão em diversos estados do País. Até às 14h do dia 21 de junho, seis indivíduos tinham sido presos em flagrante e quatro tinham sido detidos temporariamente. As ações também se estenderam para fora do Brasil, com 53 mandados no Reino Unido e seis nos Estados Unidos.

Estimativas oficiais sugerem que os crimes causados pelas ilegalidades investigadas no metaverso cheguem a R$ 366 milhões por ano. Os investigados podem ser indiciados por associação criminosa e podem pegar de dois a quatro anos de cadeia — sem contar as multas.

Metaverso pode ser mais hostil do que se pensa

A quarta edição da Operação 404 mostrou que ilegalidades não faltam no metaverso. Mas muito além da pirataria audiovisual, o ambiente virtual também é palco para outros atos ilícitos como assédio e abuso sexual.

No fim do ano passado, a psicoterapeuta britânica Nina Jane Patel relatou em seu blog uma experiência nada agradável vivida no Horizon Venues, o aplicativo de metaverso da Meta (ex-Facebook). Após criar seu avatar, Nina foi assediada virtualmente por diversos indivíduos da plataforma e relatou a falta de segurança nesses ambientes.

Casos como o da psicoterapeuta e o da operação do MJSP mostram que atos ilegais praticados na vida real também podem ser encontrados no metaverso. E, se não houver nenhum cuidado das plataformas para garantir a segurança dos usuários, é muito provável que mais problemas sejam registrados nos ambientes virtuais.

Via: Exame

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