Depois que a Meta (ex-Facebook) anunciou seus planos ambiciosos para a construção de um metaverso, não se fala mais em outra coisa pelos corredores da Internet mundial. Mesmo sendo um mundo diferenciado e até apresentar possibilidades interessantes sobre como as pessoas poderão interagir, é importante lembrar que há toda uma infraestrutura agindo por trás, para processar todo esse universo virtual dentro dos padrões esperados — e é exatamente nesse ponto que a Intel argumenta que seria necessário melhorar. E muito!

A conhecida fabricante de processadores aposta que será necessário um aumento de mais de 1.000 vezes o poder computacional coletivo disponível atualmente para suportar as interações do metaverso, na visão do vice-presidente sênior e diretor-geral do Accelerated Computing Systems and Graphics Group da empresa.

“Nossa infraestrutura de computação, armazenamento e rede hoje simplesmente não é suficiente para habilitar essa visão”, afirmou.

Ilustração do metaverso

Imagem: thinkhubstudio/Shutterstock

Grandes problemas do metaverso

Mesmo com pouca execução prática (ao menos disponibilizada para o público final), o metaverso já recebeu muitas ideias e promete uma evolução grande — especialmente quando se fala de planos envolvendo NFT e blockchain.

O problema maior é que hoje é praticamente impossível de se chegar nesse ponto em que todos podem ter acesso a esse universo digital.

A título de comparação, você pode considerar o mundo inventado pela Meta: o Horizon Worlds. Vinte é o número máximo de participantes permitidos simultaneamente por espaço (não chega nem a representar um terço do total possível em uma partida de PUBG, ou de Battlefield 2042). E isso que estamos falando de um espaço simples, sem muitas firulas para interagir.

Agora considere também que tecnologias como óculos de realidade virtual (VR), que são habilitadoras importantes para tornar o acesso a esse universo possível, ainda não são amplamente usadas por todos, ou sequer financeiramente acessíveis.

E mesmo que tudo isso fosse facilmente comprado, os jogos hoje disponíveis para esses gadgets também não são o “estado da arte” em comparação com os gráficos incríveis que temos disponíveis atualmente em jogos para PC e consoles. Ou seja, o metaverso ainda possui muitas barreiras além do poder computacional em si para se tornar algo massivamente acessado.

“Considere o que é necessário para colocar dois indivíduos em um ambiente totalmente virtual: avatares detalhados e convincentes, com roupas, cabelos e tons de pele realistas — tudo renderizado em tempo real e baseado em dados de sensores que capturam objetos 3D do mundo real, gestos, áudio e mais; transferência de dados em larguras de banda superaltas e latências extremamente baixas; e um modelo de ambiente contínuo, que pode conter elementos reais e simulados.”

Mesmo com toda a ressalva, Koduri ainda é otimista: “O metaverso pode ser a próxima grande plataforma de computação depois da World Wide Web e do mobile”, acredita o executivo. (Afinal, vale dizer que a necessidade de maior poder computacional também seria muito bom para os negócios da própria Intel e de outras empresas de tecnologia).

Vale lembrar também que mais poder computacional significa, no fim das contas, mais consumo de recursos como energia — algo que hoje já acontece bastante no universo das criptomoedas e que empresas estão trabalhando para mitigar.

Na opinião de Koduri, em entrevista à Quartz, a evolução de Inteligência Artificial (IA) e algoritmos serão cruciais para que essa equação seja melhor resolvida no longo prazo.

Em resumo: talvez ainda tenhamos que desenvolver muito mais tecnologias para alcançar esse tal do metaverso e torná-lo mais próximo da realidade. Nos resta apenas aguardar as cenas dos próximos capítulos.

Via: The Verge

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