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Para começar, que tal uma viagem no tempo! Não é necessário irmos tão longe… Ontem mesmo, as pessoas vibravam com um walkman (aparelho reprodutor de áudio externo de fita cassete criado no Japão em 1979), logo essa tecnologia foi substituída pelos CD e DVDs. Hoje, as músicas são armazenadas em nuvem por meio de aplicativos desenvolvidos para esta finalidade e são retransmitidas por nossos celulares. E por falar em celulares… em 1983 era comercializado o primeiro celular o (Motorola DynaTAC 8000x) um portátil de 30 cm e pesando 1 quilo! Voltemos, então!

A tecnologia nos últimos anos, em especial a digital, evoluiu socialmente de forma que revolucionaria não só o modo como vivemos, mas também como trabalhamos, aprendemos, nos divertimos. Este cenário leva aos surgimento de equipamentos e recursos digitais como jogos eletrônicos, plataformas digitais, aplicativos e softwares entre outros.

Detetive de dados, curador de memórias digitais e fazendeiro vertical: a escola prepara alunos para o mercado de trabalho?

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De acordo com pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, o Brasil tem 440 milhões de dispositivos digitais (computador, notebook, tablet e smartphone) em uso, ou seja, são dois por habitante. O estudo revela ainda que hoje há 9,4 computadores (desktop, notebook e tablet) para cada 10 habitantes.

Mas quais são as mudanças que este cenário propõe aos futuros profissionais? Vamos juntos descobrir…

Você conhece um detetive de dados?

Você já ouviu falar na profissão de detetive de dados? E na de facilitador de TI ou Walker/talker? Curador de memórias digitais? Fazendeiro Vertical? Alfaiate Digital?

Não! E olhar para estas profissões pode nos parecer que estamos em um livro de ficção, o que não é uma verdade. A empresa de tecnologia da informação Cognizant realizou análises de macrotendências atuais em diversas áreas, como meio ambiente, migração, biotecnologia e demografia, e chegou ao desenho de 21 profissões que estão surgindo ou que surgirão em breve.

O importante nesta leitura de profissões do futuro é compreender que elas têm em comum as habilidades digitais e habilidades que integram áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática, além de habilidades interpessoais à medida que aspectos rotineiros dos trabalhos forem assumidos por máquinas.

Detetive de dados, curador de memórias digitais e fazendeiro vertical: a escola prepara alunos para o mercado de trabalho?

Imagem: Greg Rosenke/Unplash

Vale ressaltar que não estamos falando em máquinas que vão tomar o lugar dos humanos, e sim da utilização da tecnologia para minimizar o esforço humano.

Robô com IA pode desmontar qualquer smartphone

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E as nossas escolas estão preparando os estudantes para esta realidade?

 

Curiosidade

Facilitador de TI –  profissional que explora tendências digitais e cria plataformas self-service automatizadas, para que usuários construam os próprios ambientes colaborativos, incluindo assistentes virtuais.

Walker/talker – profissional autônomo, como motoristas de Uber, que atende clientes idosos, por meio de plataformas online para conversar com eles.

Curador de memórias digitais – profissional que contata stakeholders, imprensa e fontes históricas para recriar e arquitetar experiências passadas de clientes que perderam suas memórias, utilizando-se da realidade virtual como ferramenta de trabalho.

 

A Cultura Digital na escola

Por muitos anos, formas desenvolvidas de políticas públicas para a inclusão digital que entendiam a necessidade de dar acesso à tecnologia, principalmente aos estudantes mais vulneráveis, equipando escolas com computadores e mais adiante oferecendo formações com a inclusão de computadores e periféricos, acabaram não surtindo grandes efeitos na formação de jovens para as profissões do futuro no Brasil.

Detetive de dados, curador de memórias digitais e fazendeiro vertical: a escola prepara alunos para o mercado de trabalho?

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Vale ressaltar que há a necessidade de Política Públicas que ofereçam suporte de hardware, mas é preciso ir além, ou seja, integrar a tecnologia ao currículo, como um processo de empoderamento das Juventudes e de oportunizar a inclusão destes cidadão na economia do futuro — não apenas como usuários de tecnologia, mas como produtores de soluções.

Atualmente, com os dispositivos na palma da mão, como celulares e tablets, é preciso potencializar a tecnologia como ferramenta de representação cultural e mudança social.

programação, desenvolvimento, low-code

Imagem: Shutterstock

Quando olhamos para o que chamamos de cultura digital vale destacar que esta aparece entre as dez competências gerais definidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que propõe aos estudantes compreensão, utilização e criação de tecnologias digitais de forma crítica, significativa e ética para comunicação, acesso e produção de informações e conhecimentos, resolução de problemas e realização de protagonismo e autoria (competência nº 5).

A BNCC aponta ainda para o ensino de linguagens de programação, além do domínio de uso de algoritmos e análise de dados, com o caminho para a  formação de uma nova geração de provedores de novas soluções em sintonia com as demandas do mercado de trabalho da sociedade do século XXI.

As novas ferramentas, sistemas e aplicativos possibilitarão que os estudantes elevem seu nível de interação com as tecnologias, modificando-as e tendo liberdade e capacitação para criá-las. Pesquisadores apontam que a programação será uma das principais habilidades requeridas nos próximos dez anos.

 

Para saber mais

21 (POSSÍVEIS) profissões do futuro para conhecer hoje. Na Prática.org, 24 fev. 2020.

 


Mônica MandajiMônica Mandaji é doutora em Educação pela PUC-SP e atual presidente do Instituto Conhecimento para Todos

 

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