A rede social de áudio Clubhouse enfrenta grandes desafios. O número de usuários diminui rapidamente. A plataforma luta para acertar na moderação e enfrenta o desafio de manter-se relevante para sua audiência.

No dia 28 de novembro, um escândalo abalou a reputação da plataforma. Um vídeo, que foi parar no Twitter, documentava um canal que leiloava partes do corpo de mulheres indianas. Uma dessas mulheres, uma profissional de tecnologia, foi entrevistada pelo MoneyControl e disse que a rede social ainda não conversou com ela sobre o assunto.

O vídeo foi compartilhado e foram marcados o co-fundador nos EUA, Rohan Seth, e o diretor de mercado internacional, Aarthi Ramamurthy. O grupo foi deletado e seus usuários banidos.

Clubhouse com declínio no número de usuários

O Clubhouse foi lançado em março de 2020. Quase dois anos depois, a empresa apiada pela Andreessen Horowitz, agora vale US$ 4 bilhões. Em junho foram 5,9 milhões de downloads na Índia, em outubro o número caiu para 262.000. Globalmente, o Clubhouse teve 0,93 milhões de downloads em outubro, uma redução dos 1,2 milhões de setembro e do pico de 7,7 milhões em junho.

A redução no número de usuários tem vários motivos. A empresa demorou a lançar novas funcionalidades como gravação e chat, a volta à circulação com a melhoria do quadro da pandemia e a falta de monetização da plataforma. Atualmente há um excesso de salas com pornografia e conteúdo adulto e o bullying está fora de controle.

O Clubhouse se tornou popular em fevereiro de 2021. Elon Musk apareceu na plataforma e trouxe muitos usuários. Na ocasião, o Clubhouse tinha conversas sobre o Vale do Silício e empreendedorismo.

Em junho, as conversas mudaram para temas mais simples. Logo em seguida, começaram a surgir os clubes sobre sexo e pornografia. Há clubes com 40.000 usuários e que têm 100 salas por semana. Os usuários trocam nudes e vão para conversas privadas. Algumas salas oferecem pornografia em áudio ao vivo e pode ter comentário de moderadores.

Há ainda salas para trocar números de WhatsApp e paquera. Mesmo nessas salas, há usuárias que reportaram assédio. Como no caso do leilão, o Clubhouse não deu resposta às queixas.

Organizações da sociedade civil receberam várias reclamações do Clubhouse nos últimos seis meses. Há queixas contra usuários de clubes LGBTQ+ e mulheres que foram perseguidas e tiveram seus dados pessoais descobertos por assediadores na plataforma.

As contas dos assediadores e as salas podem ser denunciadas no aplicativo. As organizações dizem que o Clubhouse ainda representa apenas 4% do total das queixas de redes sociais. Outras redes como Twitter, Instagram e Facebook concentram a maioria das queixas. O maior problema do Clubhouse é a possibilidade de descobrir dados das vítimas e persegui-las. A polícia e legisladores também não entendem como funciona a plataforma ainda.

Registrar reclamação tem seus desafios

Registrar uma reclamação sobre o Clubhouse pode ser um procedimento difícil. A maioria das conversas em áudio ao vivo não são gravadas. As reclamações dizem respeito a assédio em espaço público e muitas vezes a polícia se recusa a realizá-las.

O Clubhouse afirma que não há um aumento dos casos de queixas. A plataforma alega ainda que tem tomado providências quando recebe reclamações e o tempo de resposta tem sido mais rápido. No entanto, muitos problemas ainda podem ser encontrados como fotos de perfil com nudes.

Um problema que seria a raiz de todas as dificuldades do Clubhouse é que a plataforma não foi pensada com moderação em mente. Apenas após a plataforma crescer foram pensadas soluções.

Paul Davison, co-fundador e CEO do Clubhouse, afirmou em coletiva na Índia que moderar áudio ao vivo traz uma série de desafios, pois não é possível adivinhar o que as pessoas irão dizer. O áudio tem nuances e tons, o que também dificulta a moderação.

De 9 funcionários no começo de 2021, atualmente o Clubhouse cresceu para 85 profissionais na equipe. Os problemas com moderação já afetam a imagem da marca. As regras do aplicativo expressam que ele deve ser usado por internautas de mais de 18 anos.

Outras redes sociais também têm problemas com conteúdo adulto. Entretanto, os problemas do Clubhouse já fazem com que empresas decidam não se envolver com a plataforma.

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