Após a implementação com sucesso do Pix, o Real Digital é a mais nova aposta do Banco Central para os brasileiros. A iniciativa deve oferecer mais opções de pagamento para os consumidores no ambiente online. Os primeiros testes envolvendo a moeda virtual devem começar em meados do final de 2022.

Atualmente, está aberto o edital do Lift Challenge, para reunir ideias de implementação.

As maiores dúvidas atuais sobre a moeda são relacionadas à tecnologia que dará suporte para fazê-la funcionar, o que pode ser esperado de sua evolução e o que muda para o usuário. Um ponto importante ainda de esclarecer é a diferença entre a novidade e as criptomoedas, pois o real digital definitivamente não será uma cripto.

Para esclarecer esses pontos conversamos com o professor doutor especialista em educação financeira e empresas de tecnologia financeira, Érico Marques, da FEAAC (Faculdade de Economia, Administração, Ciências Atuárias e Contabilidade) da UFC (Universidade Federal do Ceará). “O real digital chega primeiro para empresas mas, em um curto prazo, deverá funcionar para todos”, de acordo com Érico.

Real Digital poderá ter suporte a blockchain, mas será criptomoeda

“A nova moeda virtual servirá primeiro para contratos e algumas operações entre pessoas jurídicas”, explica o professor. “Para isto, deverá funcionar com suporte de uma tecnologia, que deve ser blockchain, mas não é uma criptomoeda, mas uma moeda virtual com lastro (segurança) de um banco (o Banco Central)”, completa.

O objetivo do Banco Central com a novidade, que funcionará como uma extensão do sistema financeiro que o Brasil tem hoje, é favorecer a integração com sistemas de pagamento de outros países. Isso, em teoria, deve permitir oferecer compras em mercados internacionais com conversão imediata, que não dependem de fatores externos para serem concluídas.

“Tecnologias como blockchain e iniciativas como essa vieram para ficar, estão sendo discutidas no mundo todo”, aponta Marques. “A grande questão é a regulamentação de tudo isso, mas é uma tendência já começar a pensar no assunto em diversos países”, enfatiza.

Brasil está à frente de outros países em mudanças bancárias

Real digital

Moeda virtual do Banco Central iniciará testes no próximo ano

Pode-se dizer que o Brasil está se destaca em relação a outras economias com o tema da digitalização, o país investe em tecnologia bancária com diversas organizações relacionadas à área. A implementação do Pix ter tido ampla adesão de consumidores e estabelecimentos comerciais ajudou bastante na expectativa para o novo projeto.

“A moeda virtual é diferente das criptomoedas pois o mercado cripto é descentralizado e não é regulamentado. Ela seria assegurada pelo banco, uma grande diferença das criptomoedas. A tendência é usarmos cada vez mais dinheiro escritural e menos papel e o real digital faz parte desse cenário”.

Vale notar que o Brasil não é o único local a contar com esse tipo de iniciativa monetária – mas é um dos pioneiros. Atualmente, apenas as Bahamas tem um moeda digital própria em uso, o sand dollar. O Japão planeja lançar a DCJPY. Já El Salvador aposta no Bitcoin, com uma cidade temática para uso de pagamentos eletrônicos.

O Panamá e os EUA estudam os aspectos de regulamentação das novidades financeiras. Por sua vez, Índia, China e Suécia já declararam querer limitar as criptomoedas, em busca de estabilidade financeira e contra os danos ao meio ambiente causados pelo excesso de energia do processo de mineração.

Na mão do consumidor final, as possibilidades do real digital iriam do delivery ao pagamento de itens por meio de dispositivos inteligentes equipados com internet das coisas. Já no ambiente corporativo, o token do BC pode representar uma etapa de investimentos no meio digital, com negociação por meio da tecnologia blockchain.

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