“Isso não é trabalho”, “Jogar joguinho é fácil”, “Qualquer um consegue”. Não que seja uma regra, mas certamente inúmeros pro players (ou somente “jogadores profissionais”) de e-Sports já ouviram isso em algum momento. Isso porque ainda existe muita incerteza em torno da profissão que é sonho de qualquer amante de videogame.

É fato que a carreira como um atleta de jogos eletrônicos tem peculiaridades bem diferentes de cargos como médicos, advogados ou professores. Mas assim como em qualquer outro trabalho ou esporte, há muito esforço, responsabilidade e desafios envolvidos no meio dessa trajetória.

O imenso crescimento do mercado gamer vem ajudando a quebrar alguns paradigmas estabelecidos anos atrás. Mas para entender melhor sobre os bastidores da vida de um pro player, a equipe do TecMasters conversou com David “Disave” de Sá, atleta profissional de League of Legends pelo KaBuM! e-Sports.

Disave, pro player de League of Legends pela KaBuM! Esports

Imagem: Divulgação/KaBuM! e-Sports

Confira abaixo cinco curiosidades sobre a profissão.

Aceitação dos pais é diferente

Ilustração de indivíduo em momento apreensivo

Imagem: Kelly Sikkema/Unsplash

Os desafios para um pro player surgem muito antes da primeira oportunidade de emprego, a começar pelo ambiente familiar. Dizer aos pais que deseja se tornar um médico renomado ou um advogado de respeito pode ser “moleza”, mas a aceitação pode não ser a mesma ao falar que o sonho é “fazer a vida” jogando videogame.

Claro que isso não é uma regra — há diversos relatos de familiares que abraçam a ideia desde o começo. Mas por ser uma profissão relativamente diferente da maioria das carreiras, é natural que haja uma preocupação extra dos pais. E convencê-los pode ser mais difícil do que fazer um pentakill em uma final de campeonato.

No caso do pro player Disave, a aceitação inicial foi um pouco complicada. Por mais que seus pais tenham introduzido as jogatinas ao AD Carry ainda em sua infância, por serem de outra geração e com culturas diferentes, suas ideias ainda se baseavam no curso padrão: ensino médio, faculdade e trabalho.

Isso, de certa forma, adiou (em alguns anos) o sonho do jogador em seguir carreira no competitivo. Felizmente, o player conseguiu entrar no cenário pouco antes de terminar a universidade.

Responsabilidades desde cedo

Representação de criança pro player

Imagem: Alex Haney/Unsplash

É claro que carregar responsabilidades desde cedo não é algo restrito do cenário pro player. Adversidades da vida e a dura realidade do mundo fazem com que pessoas tenham de começar a trabalhar ainda quando criança e, em alguns casos, levar uma “vida de adulto” quando ainda não há preparo para isso.

No entanto, a vida de um atleta tem alguns extras. Além dos problemas citados, há questões como fama, pressão pessoal, da família e de torcedores, conciliação da vida pessoal com a profissional por ser um indivíduo em evidência e diversos outros fatores. E no e-Sports não é diferente.

Para o AD Carry do KaBuM!, lidar com tudo isso é uma missão delicada, mas que acaba sendo otimizada no dia a dia. Felizmente, grande parte das equipes profissionais oferecem um time de especialistas para guiar os atletas diariamente, seja no crescimento pessoal ou profissional dos jogadores.

Cuidar da mente e do corpo é necessário

Ilustração de Saúde mental

Imagem: Robina Weermeijer/Unsplash

Por mais que o competitivo de e-Sports exija mais da saúde mental do que da física (comparado a outros esportes de contato), vale lembrar que a saúde do atleta também é uma prioridade. Não à toa, Disave acredita que “ambas as partes estão correlacionadas” e que o preparo físico também pode fazer a diferença.

Tanto que, entidades do segmento de saúde como a Previva ressaltam que além de melhorar o condicionamento físico, a prática regular de uma atividade física também pode melhorar a capacidade cognitiva do indivíduo e diminuir os níveis de ansiedade e estresse de maneira geral.

Na prática, um tende a auxiliar o outro. Exercícios diários podem dar mais energia para o atleta e melhorar a saúde mental deles. Como consequência, os treinos tendem a ser mais produtivos e a expectativa de performances melhores (seja em campeonatos ou não) é muito mais alta.

Rotina de pro player não é só “jogar um joguinho”

Gaming house de pro players de e-Sports

Imagem: ELLA DON/Unsplash

E quem acha que a vida de um jogador profissional de e-Sports é coisa fácil, pode estar muito enganado. O dia a dia não se baseia em sentar numa cadeira (gamer, é claro) e ficar jogando por horas. Há todo um preparo para isso e os times profissionais criam uma rotina regrada para o alto desempenho.

Como em qualquer outra profissão, há um cronograma estipulado para as tarefas diárias. Tem hora para tudo: exercícios físicos, treinos individuais e em equipe, trabalho psicológico, planejamento de novas estratégias, revisão de jogos passados, entre outras atividades.

E no meio de toda essa correria, há quem concilie a rotina de treinos com as streams, seja para estreitar o relacionamento com seus fãs, descontrair-se um pouco ou mesmo fazer uma renda extra.

Sim, dá pra ganhar dinheiro na profissão

Amontoado de moedas para representar o lucro de uma carreira como pro player

Imagem: Josh Appel/Unsplash

Por falar em renda, uma das principais dúvidas da comunidade ou de aspirantes a pro player é sobre a rentabilidade da carreira. Inclusive, esta pode ser uma das preocupações dos familiares, que geralmente se preocupam com o futuro de seus filhos. Mas afinal de contas, dá pra fazer grana como profissional de e-Sports?

A resposta é: com certeza! E isso não reflete apenas a declaração de Disave que afirma ser “possível ter uma boa qualidade de vida” no meio. Os números comprovam que, em alguns casos, os jogadores profissionais podem ter muito mais que isso, ainda mais com o dinheiro extra de patrocínios, bônus e outras fontes.

Uma estimativa feita pelo site Esports Earnings destacou que o jogador de Dota 2, Johan Sundstein, chegou a arrecadar US$ 6,9 milhões (R$ 38 milhões, em conversão direta) em oito anos. Na ponta do lápis, ele pode ter faturado, em média, cerca de US$ 71 mil por mês.

Já no ano passado, o diretor-executivo da Associação de Jogadores da League of Legends Championship Series: América do Norte (LCS), Hal Biagas, revelou que a média salarial dos pro players do torneio é de US$ 410 mil por ano (R$ 2,3 milhões) — algo em torno de US$ 34,2 mil por mês.

É claro que esses valores são de mercados da gringa e são referentes a jogadores conhecidos no mundo todo. No entanto, as cifras mostram que existe a possibilidade de fazer um bom dinheiro no meio, embora o caminho para isso não seja fácil como se imagina.

Siga a call do Disave

Disave, pro player de League of Legends pela KaBuM! Esports

Imagem: Divulgação/KaBuM! e-Sports

Por fim, Disave dá um conselho para os que desejam se tornar pro players de e-Sports.

“Entenda que não é um mar de rosas. Mas se mesmo assim quiser se tornar um pro player, saiba que é necessário muita resiliência e foco nesse objetivo. Vão ser horas e horas de trabalho, e o resultado pode demorar a chegar. Procure se destacar no sistema competitivo do jogo que tiver interesse e desperte o interesse das pessoas de alto nível que você acabar jogando contra. Se você for realmente bom, encontrará seu espaço — seja como streamer ou jogador profissional” – David “Disave” de Sá, atleta da KaBuM! e-Sports

Novamente, o caminho para isso não será fácil, muito menos algo certo. Cada indivíduo terá sua própria história, marcada pelos seus próprios desafios e trajetórias. Mas a julgar o crescimento do e-Sports aqui no Brasil e lá fora, é possível dizer que o cenário indica ótimos horizontes para pro players, aspirantes e para os próprios entusiastas.

E felizmente, esse otimismo não deve acabar tão cedo.

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